Capítulo 01

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Capítulo 01

Mensagem por Pi em Sex Jan 06 2017, 00:22

  O vento soprava manso, mas era suficiente para bagunçar, não, fazer dançar os longos fios loiros do cabelo de um garoto que seguia por aquela estrada, afinal, bagunçados aqueles fios sempre estavam, independente das condições climáticas. Um som ecoava de seus fones de ouvido. Alguma música underground, provavelmente. Era lenta e meio melancólica, não muito radiofônica. Agora estava claro o que ritmava os passos dele, que se desenvolviam da mesma forma. Bebericava um chá expresso de hortelã e mel comprado na cafeteria da cidade pela qual havia passado há alguns minutos atrás. Era completamente viciado naquela bebida, até carregava ervas em sua mochila - bem, não era uma mochila propriamente dita, na verdade era a capa de seu violão, que além de abrigar o instrumento preto, agora servia também para guardar outros utensílios como roupas, livros, seu laptop e afins - para prepará-la si mesmo quando não encontrasse nenhum estabelecimento onde pudesse comprá-la.

  O tal garoto apresentava um estilo despojado, que se configurava em uma calça preta suavemente apertada, uma camisa verde musgo de manga longa com estampa floral por todo o tecido e que tinha os três primeiros botões abertos, mostrando além de um pouco do seu peitoral magro, o pingente da correntinha que rodeava seu pescoço: um grão de arroz dentro de pequeno recipiente de vidro que se assimilava à uma pílula. Algo estava escrito, porém era incompreensível devido a letra cursiva minúscula. Sua camisa finalizava com parte da beira para dentro de sua calça, deixando a mostra um cinto marrom escuro. Na cabeça tinha um chapéu preto que contrastava com a cor de seu cabelo, que era liso, porém com algumas ondulações aqui e ali e que fosse devidamente penteado um dia, repousaria sereno um pouco abaixo dos ombros do garoto. Usava um bota também preta, que parecia, por isso, uma extensão de sua calça.

      Era músico; tocava violão, guitarra e piano com maestria e também compunha. Amava compor, era através de suas composições que exorcizava seus demônios e glorificava seus anjos, porém não as mostrava para ninguém, guardava para si mesmo ou simplesmente as rasgava depois de prontas. Também cantava, chegara a ser vocalista de uma banda, da qual não estava muito afim de se lembrar. Se chamava Synergía. A banda. O garoto, Zachary. O nome da primeira significava algo como “união de forças em prol de um objetivo maior”, o que era irônico, já que não havia união ou nada parecido para fazer a banda ir para frente. Ao contrário de Zachary, os outros quatro integrantes não possuíam tal vontade, a presença deles era um por mero passa tempo, uma maneira de irritar os pais que queriam que eles saíssem em uma jornada Pokémon e trouxessem glória para o nome da família. A rebeldia não demorou muito a se findar e logo eles estavam saindo em jornada, sem darem a mínima para o compromisso que haviam assumido outrora.

   Esse era o motivo de o garoto vindo de Verdanturf Town estar ali, naquela estrada em direção à cidade de Littleroot: o fim de sua banda. No primeiro momento ele tentou seguir em frente, se arriscar sozinho no mundo da música, porém não era a mesma coisa e, por mais que não admitisse, se sentia incompleto, perdido e inseguro sem os seus antigos companheiros. Reflexo disso era o bloqueio criativo que vinha sofrendo em relação às suas composições desde o término do grupo. Não conseguia rascunhar mais do que um primeiro verso sem sentindo e apenas dedilhava o seu violão ou piano sem conseguir criar qualquer melodia.

    Pensando bem, não era o fim de sua banda que o havia colocado com aquele rumo, mas sim o seu tal bloqueio. A sua falta de inspiração.


~



   Parecia ser ali. Zachary revezava olhares entre uma foto de um prédio em seu smartphone e a construção real a sua frente, o que chegava a ser desnecessário, já que aquele era o único prédio em meio as pacatas casas de Litleroot. Em um dos revezamentos de olhares, quando levantava os olhos da tela do celular, algo substituiu a imagem do prédio a sua frente. Era um homem. Esse o encarava com um sorriso branco de orelha a orelha. O garoto tentou esconder a estranheza causada pela situação desfranzindo o cenho rapidamente e sorrindo, tentando parecer agradável, porém o homem já havia se afastado um pouco e o sorriso não estava mais em seu rosto. Agora Zachary conseguia o ver por completo. Era grande e forte, e a barba encontrava o cabelo caído castanho escuro, tinha aparência simples e despreocupada, mas ainda assim parecia muito energético

— Olá, meu nome é Odamaki Birch, mas todos me chamam de Birch ou de Professor por causa dos estudos que faço sobre os habitats dos Pokémon. — Falava rápido com a voz carregada de animação — E ah, porque eu sou o responsável pela entrega dos Pokémons inicias para novos treinadores aqui da região de Hoenn e por algum motivo isso faz de mim um professor também e eu não sei bem porquê... — Agora coçava o queixo e parecia pensativo sobre tal situação — Será que se eu não trabalhasse no ramo de pesquisas e só entregasse Pokémons iniciais eu poderia continuar sendo chamado de professor? Porq... — Antes de continuar olhou para Zachary que o encarava com uma expressão apática, talvez confusa e logo saiu de seus devaneios. — Desculpe-me, eu falo muito...

— Sim...— Disse sem pensar muito, mas logo percebeu o erro — Q-Quer dizer, n-não, não tem problema, eu digo.

— Creio que você está aqui para tocar uma musiquinha para mim, não é mesmo? — Disse apontando para o violão encapado que o garoto trazia nas costas.

   Aquilo soou, para Zachary, ofensivo de alguma forma e o garoto não soube bem o que dizer. Mas antes que pudesse pensar em algo, que provavelmente não chegaria a falar, o Professor deu as costas voltando para dentro do laboratório.

— Venha, vamos entrar. Tudo que você precisa está aqui — Disse olhando para trás e fazendo do indicador uma seta frenética que apontava para o laboratório a sua frente.

   Sem dizer nada e sem muita reação o garoto seguiu o mais velho


~



  Quando entrou no hall do lugar não encontrou o Professor e ficou sem saber em que direção seguir, então ficou ali parado observando o cômodo de piso claro e paredes azuis. Em uma das paredes havia prateleiras de madeiras com fotos de Birch com diferentes Pokémons, alguns certificados e medalhas e dois troféus. Uma TV grande tomava conta de outra parede e exibia o programa diário do Professor Oak, talvez o professor mais prestigiado de todo o mundo e que atuava na região de Kanto. Em frente ao aparelho, uma mesa de centro com algumas revistas em cima e um sofá preto de couro. Sentou-se no sofá e colocou seu violão encapado ao seu lado. Assistiu os últimos minutos do programa, no qual o homem falava sobre Rotom, o “Pokémon das pegadinhas” e quando a sessão de comerciais começou, o garoto colocou os fones, se recostou no sofá e se pôs a esperar novamente.

“I grew tall to fill the void, now let me go because you are just a shade of what I am not what I'll be“


   Cantarolava baixinho e quando abriu os olhos, talvez por insistinto, deu de cara com o Professor, que estava ali em sua frente o observando com um sorriso no rosto. Corou e se levantou depressa. Birch pigarreou e antes que Zachary pudesse dizer alguma coisa, começou:  

- Olá! Desculpe-me fazê-lo esperar! Bem-vindo ao mundo dos Pokémon ! Meu nome é Birch, mas todos me chamam de o Professor. — O garoto franziu o cenho em uma mistura de estranheza e confusão — Isto é o que chamamos de "Pokémon". — Diz ao liberar de três capsulas bi colores três criaturinhas distintas, pigarreou e recomeçou a fala — Este mundo é amplamente habitada por essas criaturas. Nós, seres humanos, vivemos ao lado dos Pokémon, às vezes como amigos, e, por vezes, como colegas de trabalho. E, às vezes, nos unimos e batalhamos uns contra os outros. Mas, apesar de nossa proximidade, não sabemos tudo sobre Pokémons. Na verdade, existem muitos segredos em torno deles... Para desvendar estes mistérios, eu tenho vindo a realizar pesquisas... — Estava prestes a continuar mas parou parecendo exausto — Posso pular esse discurso? Eles dizem que eu tenho que fazer isso todas as vezes, mas...

— Claro, sem problemas... — Zachary sorriu afim de parecer agradável.

   Em frente ao professor estava uma bancada de metal com rodinhas e sobre ela os três Pokémons recém liberados de suas Pokébolas e alguns outros objetos. Um dos Pokémons era verde e se assemelhava a uma lagarto, o outro era vermelho e poderia ser confundido com um pintinho qualquer se não fosse pela sua coloração alaranjada. O último era azul e não se assemelhava a nada que o garoto tinha visto — talvez um cachorro — Em suas bochechas tinham conchas alaranjas e por cauda uma outra concha, só que essa era azul.

— Então, já veio com algum de sua preferência em mente?

— Como? — Zachary, que encarava os Pokémons com curiosidade, pareceu confuso diante a pergunta.

— Para ser seu Pokémon inicial. Geralmente os novos treinadores já tem algum Pokémon decidido para ser seu inicial. Eles pesquisam e essas coisas...

— Ah sim... Entendo... É que a minha decisão de sair em jornada foi um pouco de última hora. – Disse voltando a analisar os três monstrinhos.

— Tudo bem, isso não é um problema. Conheça os três iniciais a Liga Pokémon oferece aqui na região de Hoenn: Treecko, do tipo grama — disse apontando para o lagarto verde que em seguida emitiu um som, algo como “reecko” — Torchic, do tipo fogo — Agora apontava para o pintinho vermelho, que piou parecendo animado — e Mudkip do tipo água. — O último

   O garoto analisava cuidadosamente os Pokémons a procura de algo que nem o próprio parecia saber o que era. Os monstrinhos o encaravam confuso, a procura de uma reação.

— Você não poderia, hm, me dar uma dica ou algo do tipo? — Perguntou ao Professor, mas logo percebeu que aquela fora uma pergunta idiota.

— Hm... Infelizmente não... O Conselho dos Professores me proíbe a dar qualquer opinião que possa vir a influenciar escolhas de Pokémons iniciais... — Informou, parecendo decepcionado —  Mas você já tem alguma ideia de qual carreira seguir? Talvez isso facilite.

— Coordenador — Disse rapidamente, não queria que o Professor o achasse ainda mais desinformado sobre toda aquela coisa de jornada Pokémon.

   Apesar da resposta rápida, a decisão do garoto havia sido feita naquele exato momento. Já havia visto pela TV as finais dos Grandes Festivais dos quais os coordenadores participavam e aquilo era a única coisa relacionada ao mundo Pokémon que exercia um pouco de atração sobre ele, isso porque era algo ligado à arte, envolvia música, sentimento e lembrava muito shows de bandas.

   Zachary agachou-se em frente à bancada onde estavam os iniciais e começou a analisá-los novamente, tão mais atento que parecia esperar que algum deles gristasse “Me escolha” e cita-se uma lista de razões para isso. Sabia que aquilo nunca iria acontecer, mas queria pelo fingir que estava tentando.

   No entanto, antes que pudesse continuar com a cena, percebeu que os três Pokémons, outrora tranquilos e amigáveis, agora se agarravam uns aos outros como se quisessem se esconder, seus semblantes expressavam horror e medo. Confuso, Zachary pensou ter sido o causador de tal situação e por isso se levantou rapidamente e fitou o Professor em busca de alguma resposta, porém esse parecia petrificado, com a boca aberta e o dedo indicador apontando para algo.

   O garoto logo seguiu com o olhar para onde o Professor indicava e para a sua surpresa, se deparou com o seu chapéu flutuando a cerca de meio metro acima de onde deveria estar: encaixado em sua cabeça. O utensílio fez ainda algumas manobras antes que algo saísse de dentro dele, o que deixou a situação ainda mais assustadora, e o fizesse cair suavemente de volta onde pertencia. Ele já havia entendido tudo.

— Claro! Quem mais poderia ser... — Disse Zachary animadamente, observando o Pokémon que parecia ter acabado de acordar, já que se espreguiçava enquanto flutuava pela sala  – Eu ainda me pergunto como você consegue se esconder aqui em cima e não fazer nem uma cócega sequer em minha cabeça. Você estava aí desde que saí de Verdanturf?

— Esse Misdreavus é seu? — Questionou o Professor afoitamente tentando entender a situação.

— Não, não, mas eu o conheço há algum tempo — O Pokémon agora flutuava ao seu lado e com o olhar, fuzilava os três monstrinhos inicias afim de assustá-los ainda mais — Bom, é que eu tinha uma... — pestanejou um pouco antes de continuar — Eu tinha uma banda e o Misdreavus era meio que um grande fã dela — Disse com um pequeno sorriso.

   O Professor ainda estava confuso e antes que pudesse questionar alguma coisa, Zachary continuou, mesmo não estando muito confortável em tocar naquele assunto — Nós costumávamos ensaiar em uma garagem abandonada e em um determinado dia, quando chegamos para o ensaio, nossos instrumentos estavam todos danificados: cordas dos violões e guitarras arrebentadas, baquetas partidas ao meio e teclas do keytar arrancadas. Reparamos todos os instrumentos e tratamos de trocar e fortificar as trancas do lugar, porém, um certo tempo depois aconteceu a mesma coisa. Decidimos então passar algumas noites escondidos no lugar e assim talvez descobrirmos quem estava por trás daquilo. Logo na primeira noite, quando estávamos quase pegando no sono, começamos escutar os barulhos dos instrumentos e lá estava Misdreavus, fazendo-os flutuarem no ar enquanto deles saíam sons desafinados e desconexos. Porém, não parecia fazer aquilo por maldade, na verdade ela parecia ser fã de música e principalmente da nossa banda, e de fato era isso mesmo. Então, a partir daquele noite Misdreavus se tornou quase uma integrante da banda, nos ajudava a organizar os instrumentos, afiná-los, guardá-los, era como a nossa mascote...

— Pelo que eu percebo, essa banda não existe mais, certo? — Birch parecia ter notado a melancolia do garoto ao contar a história e entendido tudo.

— Não — Respondeu em um suspiro — E quando ela terminou, o Misdreavus não recebeu muito bem a notícia e destruiu todos os nossos instrumentos. Dessa vez para valer... Eu eu o entendi, sabe? Também não queria que a banda termi... — Interrompeu a própria frase, ainda era muito orgulhoso em relação àquele assunto — E então ele desapareceu e eu não o vi mais.

— Até agora... — Completou o Professor, analisando o Pokémon — Ela parece gostar de você, digo, ele poderia ter ido atrás de qualquer outro membro da banda, mas escolheu você...

— Sim, eu acho que sim... Ou talvez foi só por causa do meu chapéu mesmo — O garoto riu também encarando-a.

   Professor Birch não disse nada, apenas coçava a barba e parecia pensativo. Assim continuou por alguns segundos e logo um sorriso suspeito começou a se esboçar em seu rosto.

— Bom, eu tive uma ideia... Um pouco louca, confesso, mas não é nada incomum, então não vejo problemas.

— Sobre... — Completou o garoto indicando para que o Professor continuasse

— Sobre o seu Pokémon inicial. Digo, você estava tendo dificuldade em escolher entre os três oficiais e eu pensei que talvez, por você já a conhecer e ter um certo histórico com ele, Misdreavus poderia ser o seu Pokémon inicial. Isso claro, se você e principalmente ela, quiserem.

   Aquilo, por algum motivo, deixara Zachary animado, talvez pela primeira vez quando se tratava de sua jornada. Gostara do Pokémon desde a primeira vez que o vira fazendo toda a barulheira com os instrumentos como se fosse uma estrela do rock, do seu espírito bagunceiro e ao mesmo tempo reservado. Esperava com todas as suas forças que ele aceitasse.

— Aqui — Disse o Professor entregando-o uma Pokébola — Faça o convite

— Certo... Bom, Misdreavus, você aceita? Digo, ser meu Pokémon inicial? — Estava apreensivo — Eu nunca saí em jornada e não tenho nenhuma prática com isso e eu acredito que você também não, então eu não posso prometer muita coisa, mas música não vai faltar... — Disse num riso nervoso, apontando para o seu violão.

    Antes que o garoto pudesse dizer mais alguma coisa, Misdreavus veio em direção à Pokébola que ele segurava, tocou-a com a cabeça e foi engolido para dentro dela, saindo alguns segundos depois e indo depois para um lugar que parecia muito mais agradável: debaixo do chapéu de Zachary.

— Isso pareceu um sim para mim — Comentou o Professor Birch.

~



   Com a Pokédex, Pokéballs e orientações recebidas do Professor Birch, Zachary agora se encontrava na porta do laboratório, parecia tomar coragem porque sabia que a partir do momento em que colocasse os pés na parte de fora, a sua jornada pelo mundo Pokémon começaria de fato. Conseguiria sua inspiração de volta ou aquilo tudo seria em vão?

   Não pensou muito. Apenas caminhou.



OBS: É um Misdreavus macho.

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Re: Capítulo 01

Mensagem por Ran em Seg Jan 09 2017, 13:58

Inicial entregue e perfil atualizado.

Mas, antes de iniciar sua jornada, você precisa adicionar sua ficha em seu perfil. Você deve atualizar seu perfil com o link de sua ficha e de seu storage (se tiver).

Para isso, siga o passo a passo a seguir:
Spoiler:

1- Entre em seu perfil


2- Adicione o link de sua ficha no campo apropriado e depois clique em "salvar" na parte inferior da página.

Assim que seu perfil estiver atualizado, fique a vontade para postar sua primeira rota em Littleroot ou proximidades. Boa jornada!
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